quinta-feira, 9 julho 2026

Entre enchentes e queimadas: os desafios do clima extremo em Americana e Santa Bárbara d’Oeste

De acordo com o meteorologista do Cepagri, Bruno Bainy, as mudanças climáticas aumentam tanto a frequência quanto a intensidade dos eventos extremos

As mudanças climáticas já fazem parte da rotina de cidades como Americana e Santa Bárbara d’Oeste. Chuvas intensas, períodos prolongados de estiagem e queimadas mais frequentes têm provocado transtornos à população, pressionado os serviços públicos e ampliado os desafios para o planejamento urbano.

O cenário é reflexo de uma tendência observada em diferentes regiões do país. Segundo dados do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), a média das temperaturas máximas na região aumentou de 27,9°C na década de 1990 para 29°C nos anos 2010.

Eventos extremos mais frequentes
No verão, temporais provocam alagamentos, transbordamento de córregos e mobilizam equipes da Defesa Civil. Já nos meses secos, a redução das chuvas diminui os níveis dos mananciais, favorece queimadas e agrava problemas respiratórios.

De acordo com o meteorologista do Cepagri, Bruno Bainy, as mudanças climáticas aumentam tanto a frequência quanto a intensidade dos eventos extremos.

“As mudanças climáticas vêm aumentando a recorrência, a intensidade e a duração desses eventos. A estação chuvosa está mais concentrada e o período seco mais prolongado”, explica.

O especialista destaca que eventos extremos são aqueles que fogem do padrão histórico da região, seja pela intensidade da chuva, das temperaturas ou pelos impactos causados à população.

Alagamentos preocupam municípios
Em Santa Bárbara d’Oeste, o Ribeirão dos Toledos continua sendo um dos principais pontos de atenção durante as fortes chuvas. Nos últimos anos, o transbordamento provocou alagamentos, desalojou famílias e exigiu operações emergenciais da Defesa Civil.

Segundo o coordenador da Defesa Civil do município, mesmo com obras de prevenção realizadas pela Prefeitura, episódios de inundação ainda podem ocorrer devido ao aumento do volume de chuva em períodos curtos.

Em Americana, áreas próximas à rodoviária também registram alagamentos frequentes durante tempestades mais severas. Conforme a Defesa Civil, precipitações superiores a 30 milímetros em poucas horas já são suficientes para causar transtornos em pontos críticos da cidade.

O monitoramento dessas áreas foi reforçado com o uso de alertas meteorológicos, permitindo que equipes atuem preventivamente antes da chegada das chuvas mais intensas.

Moradores tentam salvar pertences durante alagamento que atingiu os bairros no entorno do Ribeirão dos Toledos. Foto: Arquivo/TV TODODIA

Estiagem amplia riscos
Se o excesso de chuva preocupa durante o verão, o cenário muda completamente nos meses de estiagem. A combinação entre altas temperaturas, baixa umidade relativa do ar e vegetação ressecada favorece a ocorrência de queimadas. Todos os anos, o Estado de São Paulo realiza a Operação São Paulo Sem Fogo, que intensifica ações preventivas entre maio e setembro.

Entre as medidas adotadas estão campanhas educativas, fiscalização e aplicação de multas para quem provoca incêndios em áreas de vegetação. Nos casos de queimadas em matas e florestas, além das sanções administrativas, os responsáveis podem responder criminalmente.

Morador utiliza mangueira do próprio prédio na tentativa de conter o avanço das chamas . Foto: Alessandro Araujo/TV TODODIA

Abastecimento de água sob pressão
A estiagem também afeta o abastecimento de água em Americana. Nos períodos mais secos, a vazão do Rio Piracicaba diminui significativamente, o que exige maior atenção no tratamento da água captada.

Segundo o Departamento de Água e Esgoto (DAE), embora o barramento mantenha o nível necessário para captação, a qualidade da água piora durante a seca devido à maior concentração de matéria orgânica e outros resíduos, tornando o tratamento mais complexo.

Além disso, a redução da disponibilidade hídrica aumenta a preocupação com a segurança do abastecimento e reforça a necessidade de planejamento para enfrentar períodos de seca cada vez mais prolongados.

Planejamento para o futuro
Especialistas defendem que os municípios invistam continuamente em drenagem urbana, preservação ambiental, sistemas de alerta e fortalecimento das estruturas de Defesa Civil.

Para Bruno Bainy, as informações meteorológicas atualmente disponíveis já permitem que as prefeituras adotem medidas preventivas mais eficientes.

Segundo ele, obras públicas e projetos urbanos precisam considerar os cenários futuros das mudanças climáticas, incorporando soluções baseadas na natureza, ampliação das áreas permeáveis e infraestrutura preparada para enfrentar eventos extremos.

O objetivo, afirma o meteorologista, não é apenas responder às emergências, mas tornar as cidades mais resilientes diante de uma realidade climática que tende a se intensificar nas próximas décadas.

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