domingo, 9 agosto 2026
DIA DOS PAIS

Especial de Dia dos Pais reúne relatos sobre os desafios, aprendizados e diferentes formas de viver a paternidade

Paternidade em dobro, adoção, filhos atípicos e famílias com dois pais mostram como a paternidade é construída com presença e amor
Por
Emilly Ferreira

Não existe manual para ser pai. Cada família tem sua própria história, seus desafios e suas descobertas. Tem pai que aprendeu a cuidar em dobro, pai que precisou reconstruir a rotina, pai que descobriu uma nova forma de enxergar o mundo, pai que escolheu a adoção e pais que realizaram juntos o sonho de formar uma família.

Histórias diferentes, mas com o mesmo sentimento: o amor pelos filhos.

Paternidade em dobro
A notícia de que a família iria crescer veio em dobro para Jobson, morador de Sumaré. A surpresa de que seria pai de gêmeos logo deu lugar à construção de uma nova rotina, marcada por desafios, descobertas e muito aprendizado.

“Nossa, dois? Mas é super legal e tal. É surpreendente, na verdade, né? É inesperado. Fica sempre o dois na cabeça, né? Duplicado. Dois macacões, duas entradas, sabe? Dois saindo do hospital, você vê tudo duplicado. Aí o quarto duplo, né? Dois berços. Até hoje, é sempre vezes dois.”

Junto com a alegria, também vieram mudanças na rotina da família. Ele conta que os primeiros meses exigiram organização e parceria para cuidar dos dois bebês ao mesmo tempo.

Histórias diferentes compartilhar o sentimento de amor, cuidado e proteção. Fotos: Divulgação/Arquivos Pessoais

“Era você fica com um, você fica com o outro. Para conseguir dormir um pouquinho, né? Porque eram aquelas noites em casa. Então, um chorava, aí trocava a fralda, dava o leite, aí dormia. Dormia, mas dormia muito pouco, né? Às vezes, troca o dia pela noite. Os três primeiros meses foram os mais difíceis de acostumar com a rotina. Mas a gente dividia, assim, entre pai e mãe, cada um com um.”

Paternidade atípica
Para algumas famílias, a chegada dos filhos também trouxe novos aprendizados. O diagnóstico  de TEA (Transtorno do Espectro Autista) da filha mudou a rotina de Diogo, morador de Nova Odessa, e também revelou uma nova forma de enxergar a vida

“E eu fui vê-la, eu falei ‘oi, minha filha, o que que fizeram com você?’ Aí ela parou de chorar na hora, ela não olhou para mim, mas virou a atenção, virou a cabecinha para mim, tentou me enxergar, tipo assim, acho que eu conheço você, sabe? Pode ser coisa de pai babão, né? Mas foi uma experiência incrível ali, então valeu a pena cada conversa com a barriga, cada história, cada música, porque acho que naquele momento ela percebeu que tinha alguém conhecido, e a parte dali ela não chorou mais, foi mais de uma semana sem chorar”.

Entre desafios e conquistas, cada pequena evolução passou a ter um significado ainda maior.

“Até o processo de diagnóstico e tudo mais, ela me ensina, principalmente a ter paciência, porque hoje ela já se comunica verbalmente, mas ainda com alguma dificuldade, tentar concatenar ideia, esperar ela concatenar ideia, esperar ela falar o que ela quer, tentar entender o que ela quer, enquanto ela usa palavras que muitas vezes não existem, então tudo isso é um aprendizado maravilhoso que eu levo para minha vida profissional também”.

Adoção
A experiência da paternidade ganhou um novo capítulo na vida de Arlindo, natural de Santa Bárbara d’Oeste, quando a família cresceu por meio da adoção. Uma decisão que reforçou que o papel de pai é construído todos os dias.

“Chegamos no abrigo, nossa senhora do menino em São Paulo. Ele estava lá numa salinha reservada, esperando a gente. E aí foi interessante porque quando chegou lá, ele olhou pra mim e pegou na minha mão. Ele mostrou todo o abrigo para mim, mostrou todas as outras crianças. E as crianças falavam assim ‘Tio, o senhor vai levar o Dani’. Eu falei: ‘Não, nós estamos vindo aqui para visitar todas as crianças. Não temos certeza quem vai’. E elas responderam ‘Não, o Sr vai. O Dani não solta do senhor’. E realmente, o Dani me segurou na mão, o Dani me levou na hora do almoço para sentar junto com ele. Me levou ao banheiro para escovar os dentes, lavar as mãos. Voltou, almoçou, e eu tinha que estar perto dele. Fomos ao banheiro para escovar os dentes. O tempo todo comigo. Praticamente foi ele que nos adotou”.

Mais do que a forma como uma família é construída, é a presença constante que fortalece a relação entre pais e filhos.

“Chegou aqui, ele não falava nada. Com muito custo, ele começou a falar ‘papá’. E eu brincava muito com ele. Ah, você falou ‘papai’. Até que ele começou a falar ‘papai’. E antes, ele não aceitava a mãe. Só me aceitava. Tanto é que para fazer um período de adaptação, a minha esposa teve que ir ao abrigo, ficar lá, passou uma noite lá com ele, para poder ele aceitar. E aí a gente trouxe ele nesse dia 17. E a gente foi ficando com ele. É uma criança que tinha que fazer todas as terapias. Terapia psicológica, psiquiatra. Hoje ele ainda faz. Hoje ele ainda faz. Todas as terapias que ele fazia antes, ele ainda faz. Então foi assim, esse processo de adoção”.

Paternidade dupla
Existem também famílias que realizam o sonho da paternidade com dois pais dividindo as responsabilidades, os desafios e as descobertas da criação.

“O desejo de sermos pais nasceu desde quando a gente se conheceu, a gente sempre falou, independente da forma que seriamos, mas era sempre uma vontade de nós dois. Sempre compartilhamos esse desejo. E ai a gente se preparou para isso, para podermos realizar esse sonho. A gente fez a barriga solidária, mas também estamos na fila da adoção”, falou Bruno.

“A paternidade, para um casal homoafetivo, ela é um planejamento de vida. Não é só o desejo e decidir engravidar. Você tem que ter um preparo psicológico e físico, a questão financeira é muito importante”, acrescentou André.

Em suas redes sociais (@2paisdecaetano), André e Bruno, moradores de Campinas compartilham a rotina da família e mostram que o exercício da paternidade é construído no dia a dia, com afeto, responsabilidade e dedicação.

“A gente conseguiu provar que na nossa casa tem verdade, tem amor, a gente tem espiritualidade, buscamos a Deus, a gente tem respeito. A gente tem muitos valores para poder passar antes do nosso detalhe íntimo”, completou o papai André.

Presença, amor e disciplina
Independentemente da história de cada família, a rotina é feita de momentos simples: acompanhar, ensinar, brincar e estar presente.

No fim das contas, ser pai é uma experiência que transforma. Cada filho ensina uma nova forma de amar e cada família constrói sua própria maneira de viver essa relação. Seja por laços biológicos, adoção, desafios inesperados ou novos formatos de família, o que permanece é o amor, o cuidado e a presença ao longo da caminhada.







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