domingo, 16 junho 2024

Seleção perde quedas de braço e chega desmantelada às Eliminatórias

A seleção brasileira joga nesta quinta-feira (2) contra o Chile recolhendo os cacos

Tite tem problemas para escalar a seleção para os jogos das eliminatórias da Copa do Mundo – Lucas Figueiredo/CBF

Esqueça a base do time que empilhou seis vitórias nas seis primeiras rodadas das Eliminatórias da Copa do Mundo do Qatar. Também deixe de lado a campanha cheia de testes vice-campeã da Copa América em julho. O time que entra em campo nesta quinta-feira (2), às 22h (de Brasília), no Estádio Monumental de Santiago, será o resultado de uma mistura inédita em cinco anos de trabalho com Tite.

O técnico convocou 25 jogadores no dia 13 de agosto. Na última sexta-feira (27), precisou cortar nove nomes da lista porque os clubes da Inglaterra se uniram para proibir que os convocados da América do Sul viajassem por motivos sanitários.

Tite, então, chamou outros nove jogadores. Mas dois deles viraram desfalques — oficialmente — pelas mesmas razões. E mais um da lista original também foi obrigado a voltar para a Rússia. Resultado: 12 cortes dentro de um grupo de 34 convocados. Hoje, contra o Chile, serão só 22 jogadores disponíveis.

Na composição deste grupo desfigurado existe uma mistura de gerações com cinco campeões olímpicos de Tóquio-2020 ao lado de três veteranos acima de 35 anos. E mais: são dez jogadores que atuam no futebol brasileiro, um recorde sob o comando de Tite, e quatro nomes que nunca tinham sido convocados antes.

Um quebra-cabeça que o técnico terá a missão de montar para tornar o Brasil competitivo hoje e em mais dois jogos, contra Argentina e Peru.

Muitos problemas

Antes da Copa América, uma reunião tensa entre o então presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Rogério Caboclo, Tite e líderes do elenco insatisfeitos com a forma com a qual a competição veio parar no Brasil.

Ontem (1), mais de uma hora e meia de atraso por um pedido indigesto do Zenit para que Claudinho e Malcom voltassem à Rússia para cumprir quarentena a tempo de não perderem jogos após a data Fifa — especialmente contra o Chelsea, pela Liga dos Campeões, no dia 14. O caso se junta à não-liberação dos outros nove jogadores da Premier League.

A CBF tem um abacaxi na mão que não foi “descascado” a tempo dos jogos contra Chile, Argentina e Peru. Mas quer marcar posição. Está em jogo o futuro próximo — tem rodada tripla das Eliminatórias em outubro — e uma disputa macro sobre o domínio de poder político e econômico do futebol mundial.

O cenário aponta uma ameaça dos clubes das grandes ligas ao futebol de seleções. Sobre o clube russo, a CBF avisou que encaminhou uma reclamação formal à Fifa e apelará para que “todas as punições cabíveis ao Zenit sejam cumpridas”.

O regulamento da Fifa prevê que os jogadores fiquem indisponíveis para serem escalados durante a data Fifa e por cinco dias depois. A ideia é fazer a mesma demanda para os clubes ingleses. Cartolas da CBF já falaram informalmente com gente do alto escalão da entidade.

Malcom (foto) e Claudinho estão com a seção, mas foram chamado de volta pelo Zenit – Lucas Figueiredo/CBF

Entre os 12 cortados está o meio-campista Matheus Nunes, do Sporting. A versão de Tite e da CBF é que a exigência de quarentena impediu a liberação. Mas a história pode não ser tão simples: a seleção de Portugal tem interesse e pressionou o jogador de 23 anos, que tem dupla cidadania. Carioca, ele foi morar em Portugal quando tinha 14 anos.

“Antes da convocação, Juninho [Paulista, coordenador da seleção] conversou com ele. Eu estava ao lado. Conversei com o Matheus, parabenizamos inclusive porque era aniversário dele. Estou afirmando algo que vivenciamos e quanto orgulho ele tinha de vir para a seleção. Conversamos mais uma vez e ele colocou a questão da vacinação”, justificou o técnico.

A convocação de Matheus Nunes tinha motivos técnicos, mas era também uma tentativa de evitar a repetição de histórias como as de Jorginho, Diego Costa e Thiago Alcântara. Na era Tite, a convocação de Andreas Pereira — filho de brasileiro, nascido na Bélgica e promessa do Manchester United — evitou uma nova perda.

O contexto complicado na política externa fez Tite se voltar como há muito tempo não acontecia para o mercado nacional. Tirando o amistoso feito contra a Colômbia em 2017 para ajudar as famílias das vítimas do voo da Chapecoense, o técnico jamais chamou tantos jogadores de clubes brasileiros como agora. Por necessidade, claro.

No planejamento inicial eram cinco: Gabigol e Everton Ribeiro (Flamengo), Weverton (Palmeiras), Daniel Alves (São Paulo) e Guilherme Arana (Atlético-MG). Os remendos na lista deram chance a Edenilson (Internacional), Santos (Athletico), Éverson e Hulk (Atlético-MG) e Miranda (São Paulo).

Há uma faca de dois gumes nisso. Com mais gente atuando em solo nacional, possibilidade de mais interesse do torcedor e a chance de estreitar laços. Por outro lado, atrapalhar a vida dos clubes no Brasileirão é medida mais do que impopular da CBF. A entidade, para amenizar os efeitos, adiou os jogos dos times que cederam convocados — o que bagunçou a tabela da Série A, deixando jogos “perdidos” à espera de datas.

Os estreantes da seleção

  • Éverson

O goleiro recebeu a primeira convocação aos 31 anos. Mudou de patamar na carreira com Jorge Sampaoli no Santos, em 2019, e hoje é eficiente em defesas e jogo com os pés no Atlético-MG.

  • Edenilson

Volante do Internacional tem a mesma idade de Éverson, mas está na elite desde o Corinthians, em 2011. Já atuou sob o comando de Tite, esteve no futebol europeu e na pré-lista da Copa América.

  • Gérson

Badalado desde o Flamengo, enfim ganha a primeira chance na seleção como jogador do Olympique de Marselha. Longo histórico de recusas em defender a seleção na base atrasou plano.

  • Extra: Lucas Veríssimo

Zagueiro do Benfica observado desde a passagem pelo Santos já tinha sido convocado em junho, mas sofreu uma lesão e nem sequer se apresentou. Vive a 1ª experiência real de seleção.

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