
A TV TODODIA teve acesso ao depoimento do guarda municipal investigado pela morte do pintor Paulo Henrique Silva, de 33 anos, ocorrida em um alojamento de trabalhadores na Rua Carioba, em Americana.
O agente afirmou à Polícia Civil, na tarde de sexta-feira (3), que estava em sua casa, em frente ao alojamento, quando um adolescente teria disparado uma arma de chumbinho contra outro trabalhador, com quem teria desavenças. De acordo com a versão apresentada, o disparo acabou atingindo Paulo Henrique de forma acidental.
Família lembra trajetória de Paulo
A TV TODODIA também ouviu com exclusividade familiares do pintor. O vigilante Otoniel Silva e a bacharel em Ciências Contábeis Ana Elisa de Jesus Fernandes, tio e tia da vítima, relembraram a trajetória de Paulo e cobraram que o crime seja totalmente esclarecido.
Natural do Maranhão, Paulo morava havia mais de cinco anos em Campinas com a esposa e quatro dos cinco filhos. Pintor profissional, ele estava em Americana executando um serviço para a empresa em que trabalhava quando foi morto no alojamento onde estava hospedado com outros funcionários.
Segundo Otoniel, a falta de oportunidades no Maranhão fez com que o sobrinho buscasse uma nova vida em São Paulo. Para a família, Paulo era um homem de caráter, dedicado ao trabalho e aos filhos.
“O Maranhão estava fraco de trabalho. Ele foi ganhar a vida em São Paulo. Sempre foi uma pessoa de caráter, uma pessoa de família, uma pessoa de bem”, afirmou o tio.
Ana Elisa contou que Paulo demonstrava talento desde criança. Gostava de desenhar e costumava fazer trabalhos escolares para moradores da cidade sem cobrar nada. Ela lembra que o sobrinho sempre buscou emprego onde houvesse oportunidade e aceitava os sacrifícios da rotina para garantir o sustento da família.
Segundo a tia, Paulo permanecia durante a semana no alojamento da empresa para reduzir o tempo de deslocamento entre Campinas e Americana e, assim, aproveitar os fins de semana ao lado da esposa e dos filhos.
“O menino de sonhos, trabalhador. Onde ele se encontrava era um local de trabalho”, disse.
Dor e pedido por justiça
A notícia da morte chegou durante a madrugada e abalou toda a família. Otoniel contou que recebeu uma ligação de parentes informando sobre o crime e classificou o episódio como o momento mais triste vivido pelos familiares. A mãe de Paulo morreu há cerca de cinco meses.
“O Paulo queria viver. Queria criar os filhos dele. Tinha 23 anos e uma vida toda pela frente”, lamentou.
O corpo do pintor foi transladado para Santa Helena, no Maranhão, onde será sepultado ao lado dos familiares.
Investigação segue em andamento
Sobre a investigação, Ana Elisa afirmou que a família recebeu com esperança a declaração do prefeito em exercício de Americana, Odir Demarchi (PSD), de que eventuais responsabilidades serão apuradas. Ela disse que os parentes aguardam uma resposta definitiva das autoridades.
“A gente só quer saber a origem dessa morte. O que esperamos é justiça e que esse caso seja solucionado”, declarou.
Em entrevista exclusiva à TV TODODIA, Odir afirmou que, até o momento, não há elementos que confirmem o envolvimento do guarda municipal investigado e ressaltou que a apuração segue sob responsabilidade da Polícia Civil. A prefeitura informou que aguarda a conclusão do inquérito antes de adotar qualquer medida administrativa.
Emocionado, Otoniel disse que a família seguirá acompanhando o caso até que todas as circunstâncias sejam esclarecidas.
“O menino era meu sobrinho e também como um filho. Tenho fé em Deus que a justiça vai ser feita”, concluiu.





