
O Consórcio BUS+, responsável pelo transporte coletivo entre os municípios da RMC (Região Metropolitana de Campinas), terá 60 dias para normalizar a operação de 36 linhas consideradas deficitárias pela Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo).
Entre as linhas estão as que ligam Campinas, Sumaré e Hortolândia. Relatos de atrasos e superlotação se multiplicaram nas últimas semanas, com reclamações de usuários publicadas nas redes sociais e encaminhadas a órgãos de imprensa.
Os problemas foram registrados nas partidas de Campinas, Hortolândia e Sumaré, principalmente nos períodos da manhã e da tarde.
Veja relatos de passageiros em redes sociais
Vídeos publicados por passageiros mostram filas e a lotação dos coletivos. Um dos relatos aponta a falta de ônibus no trajeto entre Campinas e Hortolândia.
- “Olha só, não tem ônibus nenhum saindo de Campinas para Hortolândia. Filas quilométricas, todo mundo cansado, querendo ir embora pra casa e não tem ônibus. Não tem ônibus tudo lotado. E não tem um fiscal para dar satisfação para a população do que que está acontecendo. Olha só que desaforo uma coisa dessa. Olha o tamanho da fila.”
● “Olha isso, não cabe mais ninguém.”
● “Olha só, tudo lotado, não tem o que fazer, não tem ônibus. Aí o que você faz numa situação dessa? Ajuda a gente aí, fala com quem for necessário para poder ver como resolve essa situação. Isso é um absurdo.”
● “Olha só, de novo hoje, não tem ônibus. Olha o tamanho das filas, olha o tamanho da fila do Boa Esperança, não tem ônibus, não tem ônibus. E diz que tá tudo normal. Não tem ônibus.”
● “Olha só o tamanho da fila do Jardim Boa Esperança, sem ônibus.”
● “Estão alegando que agora não é mais a EMTU que toma conta, que é a Artesp. Que seja, quem for o responsável. Alguma providência tem que ser tomada. Não é possível, nesse horário, não ter ônibus para podermos irmos para o Hortolândia. O transporte público está um lixo. Olha só.”
Em Sumaré, problemas geraram moção de repúdio
A situação também foi alvo de uma moção de repúdio da Câmara Municipal de Sumaré, aprovada no mesmo dia em que um pedestre foi atropelado por um ônibus metropolitano no Jardim Macarenko.
O principal problema foi identificado na linha 654, que liga a Rodoviária de Sumaré ao Shopping Iguatemi Campinas, passando por Hortolândia. No período analisado, foram registrados 840 problemas nessa linha, quase todos relacionados a atrasos.
Em razão das reclamações recorrentes e dos problemas constatados em vistorias realizadas desde março de 2026 em toda a frota, a Artesp notificou o consórcio no último dia 26 de agosto. As inspeções avaliaram as condições dos veículos, o cumprimento dos horários e o nível de lotação dos coletivos.
Artesp aponta “descumprimentos contratuais”
Segundo a agência reguladora, que assumiu a função da extinta EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), cuja sigla ainda aparece em muitos coletivos, a notificação ocorreu após a identificação de “descumprimentos contratuais durante fiscalizações”.
A Artesp também instaurou um processo administrativo contra o Consórcio BUS+. O procedimento pode resultar, em última instância, na caducidade do contrato e na perda da concessão para operar as linhas metropolitanas, conforme a previsão contratual e o anexo de penalidades.
Como a empresa não apresentou o plano de melhoria solicitado, a agência determinou a “correção imediata das irregularidades com prazo de 60 dias a partir da confirmação do recebimento do ofício, enviado na quarta-feira (26/08), para o pleno cumprimento do contrato”.
Ainda segundo a Artesp, “caso as adequações não sejam realizadas nesse período, será instaurado processo administrativo sancionador”. A agência também informou que “a fiscalização será reforçada, especialmente nas 36 linhas com operação deficitária”.

Outro lado: Consórcio admite problemas e aponta causas e soluções
Em nota emitida na quinta-feira (03), o Consórcio BUS+ admitiu enfrentar problemas nas linhas metropolitanas, principalmente por causa da “escassez de mão de obra de motoristas”, que afeta diversos setores da economia, não apenas o de transportes. Segundo a empresa, a falta de profissionais qualificados tem afetado diretamente a operação do sistema.
O consórcio também apontou os congestionamentos frequentes nas rodovias da região como fator que prejudica o cumprimento dos horários, principalmente nos períodos de pico da manhã e da tarde.
Para reduzir os problemas, o Consórcio BUS+ informou que está criando um programa próprio de formação de motoristas, voltado principalmente ao público feminino. Por fim, a empresa lamentou os transtornos causados aos usuários, reafirmou o compromisso de “solucionar os problemas na operação” e ressaltou que está “trabalhar para normalizar os atendimentos o mais rápido possível”.
O Consórcio BUS+ tem uma frota de 408 ônibus, realiza 130 mil viagens por mês na RMC e atende, em média, 3,2 milhões de passageiros a cada 30 dias.





