Sábado, 28 Mai 2022

EUA assinam acordo de paz com Taleban

EUA assinam acordo de paz com Taleban

Os Estados Unidos e o Taleban assinaram hoje um acordo de paz histórico, para tentar colocar fim a um conflito de quase 20 anos.  Em um evento em Doha

Os Estados Unidos e o Taleban assinaram hoje um acordo de paz histórico, para tentar colocar fim a um conflito de quase 20 anos. 

Em um evento em Doha, no Qatar, o negociador americano, Zalmay Khalilzad, e o mulá Abdul Ghani Baradar, assinaram o texto, e em seguida, deram um aperto de mãos. 

Pelo acerto, o Taleban se compromete a parar de fazer ataques, a não apoiar grupos terroristas e a negociar com o governo afegão. Em troca, todas as tropas dos EUA e da coalizão da Otan deixarão o país até abril de 2021, e o Taleban ficará livre de sanções, caso os termos acordados sejam cumpridos. 

Os governos dos EUA e do Afeganistão prometeram libertar cerca de 5.000 prisioneiros ligados ao Taleban. Em troca, o grupo soltará cerca de 1.000 presos. 

A retirada de tropas será feita de forma gradual ao longo de meses, e o número de militares estrangeiros no Afeganistão será reduzido de cerca de 14 mil para 8.600 até julho. No entanto, caso haja o retorno da violência no país, o processo será revertido. 

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, discursou no evento e disse que o Taleban se comprometeu a cortar seus laços com Al Qaeda, a combater o Estado Islâmico e a manter os progressos obtidos pelas mulheres desde 2001. 

O Taleban defende uma visão radical de preceitos islâmicos. Quando esteve no governo, as mulheres não podiam estudar ou trabalhar fora de casa, e tinham de usar burcas para sair às ruas. Há temores de que com a volta do grupo à política, as mulheres possam voltar a ser subjugadas. 


COMPROMETIDOS 

O mulá Abdul Ghani Baradar firmou o acordo em nome do Taleban e disse que o grupo está comprometido com os termos. Ele convocou os políticos e outros grupos afegãos a construir um regime islâmico para o país e pediu que Paquistão, Indonésia, China e Rússia participem da reconstrução nacional. 

Os EUA também se comprometeram a não se envolver em questões domésticas do Afeganistão e a enviar recursos para equipar as forças de segurança afegãs. Há também a promessa de retirar as sanções contra o Taleban até agosto. 

É a primeira vez que EUA e Taleban realizam um evento público conjunto para anunciar medidas de paz. Os dois grupos realizaram negociações secretas ao longo de anos. 

Em setembro, Trump cancelou uma reunião secreta que faria com o Taleban, em solo americano, porque os insurgentes seguiram fazendo atentados. 


CAUTELA 

Apesar do tom histórico do evento, líderes dos EUA e da Otan mostraram comedimento ao estimar as chances de sucesso do acordo. Pompeo disse que o Taleban mostrou boa vontade ao respeitar uma trégua de uma semana, que antecedeu o acordo, mas que o monitoramento do cumprimento dos termos será firme. 

A Otan deu apoio ao acordo de paz, mas lembrou que o processo não será simples. "Temos que estar preparados para reveses e incidentes", disse Jens Stoltenberg, secretário-geral da entidade, que une forças militares de vários países. 

O ponto mais sensível do acordo é que as conversas entre o Taleban, o governo afegão e outras forças do país ainda precisam ser iniciadas. O Taleban até então se recusava a falar com o governo, pois o considerava um marionete dos EUA. 

Agora, as negociações internas estão programadas para começar em 10 de março. 


INVASÃO 

As Forças Armadas dos EUA invadiram o Afeganistão em 2001, após o 11 de Setembro, e removeram o Taleban do governo. O grupo foi acusado de dar abrigo à rede Al Qaeda, que realizou os atentados. 

Houve eleições a partir de 2004, mas queixas de fraude, corrupção e brigas afetaram a credibilidade do governo. 

Enquanto isso, o Taleban, que defende uma interpretação radical dos preceitos islâmicos, foi ressurgindo e fazendo ataques, ao lado de outros grupos rebeldes. 

Caso funcione, o acordo será um trunfo para o presidente Donald Trump, que busca o segundo mandato na eleição de novembro. Ele prometeu diversas vezes acabar com o que chama de "guerras sem fim". 

 

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