A creche começou a ser investigada, após vazamento do vídeo em que mostra a proprietária abafando choro de bebê com cobertor
Uma ex-professora da creche particular investigada por suspeita de maus-tratos em Florianópolis relatou situações que ocorreram com crianças, inclusive um menino autista e outro com deficiência auditiva. As denúncias foram publicadas pelo Jornal do Almoço, da NSC.
Segundo a educadora, os alunos recebiam pouca comida e apanhavam se faziam cocô na calça. A ex-funcionária também disse que a dona da creche jogava fora os remédios controlados de uma criança.
Os relatos de maus-tratos foram denunciados pelos pais depois que vídeos das cenas passaram a circular nas redes sociais. A unidade suspendeu as atividades por tempo indeterminado na segunda-feira (4).
Em nota nesta terça (5), a defesa da creche afirmou que “não reconhece a validade das imagens divulgadas, declarando que fica a disposição para prestar eventuais esclarecimentos, informando que não há registros de eventuais irregularidades”.
Relatos
A ex-professora e testemunha diz ter feito o vídeo em que a mulher usa um cobertor para abafar o choro de uma bebê (vídeo acima). A ex-funcionária não quis se identificar e relatou que denunciou as situações ao Conselho Tutelar e procurava outro emprego para poder sair da creche.
“A comida também era pouca, porque ela [dona] dizia que queria evitar o desperdício. Então, era uma banana para três crianças, potes minúsculos de refeição. E nós, enquanto funcionárias, não podia fazer nada além de tentar proteger as crianças, de tentar passar a maior parte do tempo nas nossas salas”, relatou.
Sobre o aluno que usava remédios contínuos, a funcionária disse que ele ficava no celular o tempo todo, atrás da mesa da dona da creche.
“Os remédios que os pais mandavam para ele, ela jogava fora”, disse.
A ex-professora também relatou situações que ocorreram com um aluno com outra deficiência. “A partir do momento em que ele foi desfraldado, piorou muito porque ele não entendia nada do que as pessoas falavam. Ele não conseguia falar com a gente, então ele fazia muitas vezes na calça”.
Ela relatou que o menino também apanhou.
“Teve uma vez que ele estava dormindo e, quando ele acordou, fez cocô dentro da sala onde ele estava dormindo. Eu lembro que ela, a dona do colégio, ficou totalmente fora de si. Ela levou ele pra rua, estendeu o lençol. Eu acredito que para a câmera não pegar o que estava acontecendo. Deixou ele pelado e bateu nele com chinelo”.
Advertência
O Conselho Tutelar informou que esteve na creche mais de uma vez. No ano passado, a unidade já havia sido denunciada por outro ex-professora. Em dezembro, a creche recebeu uma advertência do Conselho Tutelar. Esse documento dizia que a proprietária está advertida a não cometer nenhuma violência contra as crianças.
Segundo o Conselho Tutelar, nas vezes em que uma equipe esteve na creche, não houve flagrante de maus-tratos ou crianças machucadas ou chorando muito. Foi feita uma inspeção em dezembro. A visita mais recente ocorreu em maio deste ano.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou nesta terça-feira (5) que instaurou uma notícia de fato e que vai apurar as denúncias.
O caso também é investigado pela Polícia Civil, que deve tomar depoimentos nesta semana.
A Secretaria de Educação de Florianópolis disse em nota que recebeu as denúncias e que a Diretoria de Educação Infantil vai fazer uma visita ao local onde funcionava a creche para averiguar as práticas pedagógicas-educacionais. Ainda que a creche já tenha suspendido as atividades, essa visita faz parte do protocolo em casos deste tipo. A secretaria também informou que em seguida vai encaminhar um parecer ao Ministério Público, à Promotoria de Justiça, ao Conselho Municipal de Educação e à Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso.
Outra funcionária da creche, que também não quis se identificar, relatou que as agressões feitas sempre pela mesma pessoa eram constantes.
A mesma funcionária conta que castigos, como deixar alunos sentados sozinhos por 15 minutos, ou trancá-los numa sala para chantagear, também eram recorrentes.





