terça-feira, 28 julho 2026
CÂMARA DE CAMPINAS

Vereador Arnaldo Salvetti (MDB) é alvo de pedido de Comissão Processante por caso de suposta violência contra mulher

Defesa afirma que vereador foi absolvido na esfera criminal, critica pedido apresentado por Guida Calixto e diz que obteve decisão judicial para retirada de publicações das redes sociais
Por
Guilherme Pierangeli
Verador Arnaldo Slvetti (MDB) é alvo de pedido de CP. Foto: CMC

A vereadora Guida Calixto (PT) protocolou um pedido de abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o vereador Arnaldo Salvetti (MDB), com base em um processo judicial que tramita sob segredo de Justiça e envolve acusações de violência contra uma mulher. Se o procedimento for instaurado pela Câmara de Campinas, poderá resultar na cassação do mandato por eventual quebra de decoro parlamentar.

Segundo a parlamentar, o pedido foi apresentado após ela ter acesso a um processo que classificou como “robusto”, com documentos e provas que justificariam a abertura de uma investigação político-administrativa pelo Legislativo. “Pessoal, acabei de protocolar um pedido de abertura de comissão processante contra o vereador aqui de Campinas, o vereador Arnaldo Salvetti. A situação é grave, tive acesso ao processo judicial, um processo muito robusto, com muitas provas e muito grave. A denúncia é de violência contra uma mulher”, afirmou Guida em vídeo publicado nas redes sociais.

Procurada pela reportagem, Guida confirmou ter protocolado o pedido de CP contra Salvetti.

Processo está sob sigilo
O caso tramita em segredo de Justiça, o que impede o acesso público ao conteúdo integral dos autos e aos detalhes das acusações. Por esse motivo, não é possível confirmar publicamente quais condutas foram atribuídas diretamente a Salvetti, quais crimes teriam sido investigados ou se houve denúncia formal por parte do MP (Ministério Público).

De acordo com Guida, o pedido de abertura da Comissão Processante se baseia em informações que vão além do boletim de ocorrência divulgado em 2025. A vereadora afirma ter recebido a mulher apontada como vítima e acessado documentos relacionados ao processo judicial.

Na gravação divulgada nas redes sociais, ela não detalha quais seriam as provas nem descreve as condutas atribuídas diretamente ao vereador. Ainda assim, sustenta que o material reúne elementos suficientes para justificar uma apuração pela Câmara. “Nós fizemos esse pedido porque essa Casa tem que rechaçar qualquer tipo de violência e principalmente contra as mulheres. Então, nesse sentido, fizemos esse pedido de CP, de abertura de CP, e que essa Casa possa acolher, investigar, apurar esse caso e que a gente possa combater de vez qualquer violência contra as mulheres”, declarou.

Salvetti diz que foi absolvido e contesta acusações
Em nota encaminhada à TV TODODIA, a assessoria jurídica de Arnaldo Salvetti afirmou que informações divulgadas nas redes sociais e por alguns veículos de comunicação são “falsas e gravemente ofensivas” à honra e à reputação do vereador. A defesa sustenta que Salvetti foi absolvido no processo relacionado às acusações de violência doméstica e afirma que não existe decisão judicial reconhecendo a prática das agressões atribuídas a ele.

Questionado pela TV TODODIA se a absolvição representa a situação atual do caso, Salvetti respondeu: “Sim, eu fui processado por suposto crime de violência doméstica e após o trâmite do processo eu fui absolvido da acusação, conforme sentença.”

Ao ser perguntado sobre o que teria motivado a acusação, o vereador afirmou que manteve um relacionamento extraconjugal com a mulher que o denunciou e que ela não teria aceitado o fim da relação. “Ela fez essa denúncia porque não aceitava o término do relacionamento. Não aceitava o fato de eu estar bem e ter me entendido com a minha mulher. E começou a incomodar a mim e minha família. É importante esclarecer que tudo o que ela está falando agora é mentira. Eu nunca agredi nenhuma mulher. Além disso, ela age de má-fé, pois as fotos que ela apresenta são relacionadas a outra pessoa que ela inclusive registrou boletim de ocorrência. Não tem nada a ver comigo.”

Ainda segundo Salvetti, já existe uma decisão judicial determinando a retirada das publicações das redes sociais. “Eu já tenho inclusive uma liminar que determina a retirada dos vídeos da internet e a proíbe de divulgar qualquer coisa neste sentido contra mim. Ela será citada a qualquer momento.”

A defesa também informou que obteve tutela de urgência da Justiça determinando que a plataforma Instagram torne indisponíveis vídeos publicados sobre o caso e proibindo a autora das publicações de afirmar ou insinuar que o vereador foi condenado por agressão, bem como de associá-lo às imagens de lesões exibidas nos vídeos. A decisão não alcançou publicações da vereadora Guida Calixto nem de outros perfis citados na ação, por eles não integrarem o processo.

Críticas ao pedido de Comissão Processante
A TV TODODIA também questionou Salvetti sobre o pedido de Comissão Processante protocolado por Guida Calixto.
Em resposta, o vereador afirmou: “Com relação à vereadora Guida, eu, na verdade, gostaria de acreditar que a minha colega foi induzida ao erro, porém existem duas possibilidades: ou ela mentiu deliberadamente quando diz que teve acesso ao processo e afirma que no mesmo existem provas robustas contra mim, o que não é verdade, tanto que fui absolvido; ou ela está usando essas informações, sabendo que são falsas, de uma causa tão séria que é a violência contra a mulher, para se prover politicamente.”

Ele também criticou a iniciativa da parlamentar. “Para concluir, o fato da vereadora, como uma advogada que é, protocolar uma CP contra mim é uma atitude no mínimo irresponsável.” Na nota divulgada pela assessoria jurídica, a defesa ainda afirma que a absolvição ocorreu após análise judicial dos fatos e das provas e sustenta que eventual pedido de Comissão Processante “não transforma acusações em fatos”, reiterando que o vereador foi absolvido.

Caso teve início em 2025
A investigação teve origem em uma ocorrência registrada em junho de 2025. Na ocasião, uma mulher informou à PM (Polícia Militar) que mantinha um relacionamento extraconjugal com Salvetti e que havia procurado o vereador para discutir o futuro da relação.

Segundo a assessoria de Salvetti, o boletim de ocorrência registrado na época, durante a discussão a mulher teria sido contida fisicamente por uma funcionária do parlamentar. O soco descrito no registro policial foi atribuído a essa funcionária. A vítima solicitou atendimento médico, mas não prestou depoimento formal naquele momento.

O caso passou a ser investigado pela 1ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Campinas. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Judiciário, onde permanece sob sigilo.

Próximos passos
Antes de seguir para votação em plenário, o requerimento deverá passar pela análise jurídica da Procuradoria da Câmara. Se for considerado formalmente apto, poderá ser lido e votado na sessão de 3 de agosto, a primeira após o recesso parlamentar. Caso a maioria dos vereadores aprove a abertura da Comissão Processante, será sorteado um grupo de parlamentares para conduzir a investigação. Salvetti será notificado, poderá apresentar defesa, indicar testemunhas e contestar as acusações.

O procedimento, caso instaurado, tem como objetivo apurar se a conduta atribuída ao vereador configura quebra de decoro parlamentar ou infração político-administrativa incompatível com o exercício do mandato, independentemente da investigação policial e do processo judicial.

Ao final dos trabalhos, a comissão poderá recomendar o arquivamento do processo ou a cassação do mandato. A decisão final caberá ao plenário da Câmara.

Receba as notícias do Todo Dia no seu e-mail
Captcha obrigatório

Veja Também

Veja Também