Pouco mais de um mês após emocionar o público durante o Abril Azul com a própria trajetória de superação, Eliandra Necker, moradora de Cosmópolis, voltou aos corredores da faculdade onde construiu uma das fases mais importantes da vida.
Desta vez, o reencontro não teve provas, estágios ou rotina acadêmica. A visita aconteceu em um momento marcado pela gratidão. Ao lado da família, amigos e professores, a jovem participou de uma roda de conversa organizada pela mãe, Regiane Necker, como forma de agradecer o acolhimento recebido durante os quatro anos de graduação em enfermagem.
Eliandra foi diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) aos 18 anos. Antes disso, enfrentou uma infância marcada por dificuldades de aprendizagem, problemas de saúde e episódios frequentes de bullying escolar.
Mesmo diante dos desafios, encontrou na área da saúde um propósito profissional.
“Você tem que amar aquilo que faz. Eu sempre gostei da área da saúde”, contou em reportagem exibida anteriormente pela TV TODODIA durante o Abril Azul.

Uma trajetória construída em silêncio
Ao entrar na faculdade, Eliandra decidiu não revelar o diagnóstico inicialmente. Reservada, preferiu seguir a graduação da própria maneira, construindo relações aos poucos e mostrando dedicação dentro da sala de aula.
“Eu sempre gostei de ser mais reservada e de me esforçar pra conseguir conquistar aquilo que eu queria”, contou.
As avaliações estavam entre os momentos mais difíceis da rotina acadêmica. Ainda assim, cada resultado positivo se transformava em motivação para continuar.
“Quando eu tirava nota boa na prova eu já ficava muito feliz, porque era difícil… mas eu conseguia chegar lá.”
Foi justamente durante esse processo que Eliandra encontrou um ambiente que, segundo a família, fez diferença na permanência dela no curso.
“Já no primeiro semestre a gente percebeu que ela estava se sentindo acolhida. Ela começou a demonstrar vontade de continuar”, relembrou a mãe, Regiane.

Inclusão além do discurso
Ao longo da graduação, a estudante criou amizades, fortaleceu vínculos com colegas e passou a enxergar a enfermagem como um espaço de pertencimento.
A professora Fabiana Paes Nogueira, que acompanhou parte da trajetória acadêmica da jovem, afirma que a convivência também trouxe aprendizados importantes para os educadores.
“O TEA não define quem ela é. A Eliandra é muito mais do que isso. Ela vai ser uma excelente enfermeira.”
Para o professor Cristiano José Mendes, a futura profissional sempre demonstrou autonomia dentro da faculdade.
“Ela nunca pediu prioridade. Sempre buscou independência. Hoje chega ao final desses quatro anos com louvor.”
Segundo o docente, a experiência também reforçou a importância da inclusão dentro do ambiente universitário.
“A inclusão é fazer o aluno se sentir pertencente.”
Amizades e novos sonhos
A dedicação também chamou atenção dos colegas. A amiga Daiane do Carmo Farias conheceu Eliandra durante os estágios e lembra da facilidade que ela tinha para ajudar os outros alunos.
“Ela faz tudo com amor. Em qualquer área que ela for, vai ser brilhante.”
Além da formatura, Eliandra conquistou recentemente a aprovação em um concurso público na área da saúde. Mas os planos não param por aí.
A jovem já começou a se preparar para tentar medicina.
“Eu pretendo prestar vestibular pra medicina esse ano ainda.”
A família garante que continuará ao lado dela em cada nova etapa.
“Não existe impossível quando você quer muito uma coisa”, afirmou a mãe.
A história que começou ganhando destaque durante o Abril Azul agora segue para um novo capítulo — carregando não apenas um diploma, mas também a marca do acolhimento que ajudou a transformar a trajetória da jovem.





