Cem anos de vida. Uma marca reservada a poucos, alcançada por seu Ozório Brumati nesta sexta-feira (26). Morador de Santa Bárbara d’Oeste há mais de três décadas, ele passa a integrar um grupo bastante seleto de centenários no município.
Segundo o Censo 2022 do IBGE, apenas 13 moradores da cidade têm 100 anos ou mais. Nascido em 1926, mesmo ano em que a televisão foi apresentada ao mundo pela primeira vez, ele é testemunha viva de um século de transformações profundas.
Cultura caipira
Fã da cultura caipira e da clássica dupla Tonico e Tinoco, seu Ozório emocionou ao cantar um trecho da icônica “Menino da Porteira”, canção que inspirou dois filmes, um deles protagonizado por Sérgio Reis e outro por Daniel.
“Quando eu tinha 18 anos eu era cantor, mas nunca tive a chance de aparecer na televisão”, contou durante entrevista à TV TODODIA.
Raízes no campo e infância sem escola
Natural de Pirajuí e criado na região de Tupi Paulista, seu Ozório acompanhou mudanças marcantes ao longo da vida. Na infância, doenças comuns representavam grande risco à saúde, cenário que começou a mudar com a descoberta da penicilina, em 1928, marco que revolucionou a medicina. Nesse período, construiu sua trajetória baseada no trabalho, na simplicidade e na valorização da família.

“Eu fui criado em um bairro onde não tinha escola, eu não aprendi a ler e a escrever. Aprendi a ler um pouquinho quando tinha 18 anos. Mesmo sem leitura consegui tirar título de eleitor”, explica o centenário.
Ozório conheceu Conceição quando ainda tinha 8 anos, no sítio onde cresceu. “Nós vivemos juntos por 80 anos, até ela falecer há 15 anos”, relembra com orgulho.
Ao lado da esposa, formou uma família com 13 filhos e mais de 20 netos. Ao longo das décadas, viu o mundo passar pela chegada dos primeiros computadores digitais programáveis, que deram início à revolução tecnológica que transformaria a vida moderna.
A trajetória também inclui desafios. Seu Ozório enfrentou um câncer de pele que levou à amputação de parte do nariz durante o tratamento. Mesmo assim, seguiu a vida com serenidade. Já mais velho, acompanhou o surgimento da internet e, posteriormente, dos smartphones, tecnologias que mudaram completamente a forma de comunicação no mundo.
Rotina, família e lembranças do passado
Hoje, aos 100 anos, mantém lucidez, memória e disposição. Entre as lembranças, estão as pescarias nos rios Paraná e Aguapeí e o hábito de cozinhar para reunir a família.
Com bom humor, compara a pesca no campo e nos pesqueiros urbanos. “Aqui no pesqueiro você tem que pagar, lá não”.
Em Santa Bárbara d’Oeste, dos 13 centenários identificados pelo IBGE, apenas quatro são homens, o que reforça o caráter raro da longevidade masculina no município. Seu Ozório, com um século de vida, é um retrato vivo das transformações sociais, médicas e tecnológicas do último século.
Hoje, seu Ozório vive com o filho Clovis, em Santa Bárbara d’Oeste, e mantém a autonomia na rotina diária, preparando as próprias refeições, mesmo sem necessidade. Entre os pratos que mais aprecia, destaca a costela de boi. “Eu gosto de costela de boi”, conta o centenário.
O segredo da longevidade, segundo ele, está na simplicidade e nos cuidados com a saúde. “Nunca fui bebão, nunca fumei e nem fui farrista”.





