terça-feira, 15 setembro 2026
CHEIAS DO RIBEIRÃO QUILOMBO

Famílias de Sumaré contabilizam perdas após alagamentos do Ribeirão Quilombo

Cerco de 100 famílias afetadas puderam voltar para suas casas no domingo e contabilizam as perdas desde então
Por
Vagner Salustiano
Casa da família de Audry Cabral, na Vila Diva, em Sumaré, ficou completamente destruída. Foto: Divulgação/Acervo Pessoal

Cerca de 100 famílias de Sumaré voltaram para casa no último domingo (13), depois que as águas do Ribeirão Quilombo baixaram após os alagamentos registrados nos dois dias anteriores. Os moradores encontraram imóveis danificados e começaram a contabilizar os prejuízos.

Desde então, as famílias se dedicam à limpeza das residências, à retirada de móveis, eletrodomésticos e outros objetos estragados pela água, além da tentativa de recuperar o que não foi totalmente perdido.

Os moradores também recebem orientações sobre o risco de leptospirose, doença causada por bactérias do gênero Leptospira e transmitida pelo contato com a urina de animais infectados, principalmente ratos. A contaminação pode ocorrer por meio da água e da lama de rios e córregos que transbordaram.

Família da Vila Diva perdeu tudo novamente
Entre as famílias orientadas está a de Audry Cabral, moradora da Vila Diva, na Região do Matão. Ela voltou para casa no domingo e encontrou os móveis e eletrodomésticos destruídos. Audry registrou em vídeo a situação da residência onde mora desde que nasceu. Segundo ela, com quem a reportagem da TV TODODIA havia conversado na sexta-feira (11), estava “tudo revirado, tudo fora do lugar, tudo perdido”. No vídeo, ela lamentou: “Entrada de casa, o quintal, tudo revirado, tudo fora do lugar, tudo perdido. É um cenário de destruição, gente. Isso aqui é triste demais, é triste demais, olha. Olha. Ó, mantimento pelo chão. Tudo que a gente tentou erguer caiu, tombou. É triste demais, gente”.

Segundo Audry, os únicos móveis preservados foram os guarda-roupas, construídos em alvenaria depois de enchentes anteriores. Ela também relatou que outros cômodos e equipamentos da casa foram atingidos. “A entrada da casa da minha mãe, as máquinas dela reviradas também, a cozinha. Olha isso, olha isso, gente. Olha, a cozinha dela, olha a geladeira tombada, a sala, as coisas do banheiro vieram parar aqui. O banheiro, o quarto. Nossos guarda-roupas já são feitos de alvenaria justamente por isso. De tanto que a gente perdeu, a gente mandou fazer de alvenaria. É a única coisa que se salva. O sofá que a gente ergueu, ó, atingiu. Tudo molhado. Tudo sujo. Tá um mau cheiro aqui dentro, vocês não têm noção”, afirmou Audry.

200 litros de chuva por metro quadrado
Segundo a Defesa Civil da Prefeitura de Sumaré, o município registrou 144 milímetros de chuva, o equivalente a 140 litros de água por metro quadrado, em um período de 48 horas entre quinta-feira e sábado. Em 72 horas, o volume acumulado superou 200 milímetros, ou 200 litros de água por metro quadrado. Foi o maior índice registrado entre os municípios da Região Metropolitana de Campinas no período.

O transbordamento do Ribeirão Quilombo provocou alagamentos em 18 pontos de vários bairros. Durante o período de alerta, o município manteve ações de monitoramento e atendimento emergencial para as cerca de 100 famílias afetadas e seus animais de estimação. A maior parte dos moradores foi para casas de parentes, mas 15 famílias precisaram ser acolhidas no CIE (Centro de Iniciação ao Esporte) Bordon.

As cheias atingiram as áreas mais baixas da Vila Diva, da ocupação Três Pontes, dos jardins Primavera, São Domingos, Manchester, Dulce, Picerno e Jatobá, além da Rua Crenac, no Jardim Basilicata.

Famílias retornaram para suas casas no domingo
Depois que o nível da água baixou, os moradores foram autorizados a voltar para suas residências no domingo. Uma segunda força-tarefa foi montada para limpar as áreas atingidas, desobstruir vias, retirar resíduos e prestar atendimento às famílias afetadas pelo temporal.

Desde segunda-feira, equipes da Vigilância em Saúde do município visitam os locais afetados e orientam os moradores sobre a prevenção e os sintomas de doenças transmitidas pela água, como a leptospirose. As equipes também explicam os cuidados necessários durante a limpeza de casas e objetos. Além das orientações de saúde, os profissionais oferecem acolhimento e apoio às famílias atingidas pelas enchentes.

Os moradores foram orientados a fazer a limpeza com segurança, usando roupas compridas e solução de hipoclorito de sódio, conhecida como água sanitária. Alimentos que tiveram contato com água ou lama devem ser descartados. A Prefeitura de Sumaré também orientou a população a não atravessar áreas alagadas, a pé ou com veículos, e a procurar locais seguros sempre que houver elevação do nível da água de rios e córregos.

Profissionais da Secretaria de Saúde orientam moradores nas áreas afetadas pelos alagamentos. Foto: Prefeitura de Sumaré

Orientações sobre a leptospirose
A leptospirose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Leptospira. A transmissão ocorre pelo contato direto ou indireto com a urina de animais infectados, principalmente ratos. A bactéria pode entrar no organismo por ferimentos ou arranhões na pele, além do contato com água e lama de enchentes contaminadas. Os primeiros sintomas costumam aparecer entre cinco e 14 dias após a exposição, mas também podem surgir em até 30 dias.

Os sinais mais comuns são febre, dor de cabeça, dor no corpo, principalmente nas panturrilhas e na parte posterior das pernas, vômitos, diarreia e icterícia, caracterizada pela coloração amarelada da pele e dos olhos. A doença pode evoluir para formas graves.

Por isso, pessoas que tiveram contato com água ou lama de enchentes devem observar o surgimento de sintomas e informar ao profissional de saúde sobre a exposição.

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