
Uma publicação feita na segunda-feira (14) anunciou a data e o horário de um vídeo com familiares do presidente da Câmara Municipal de Sumaré e candidato a deputado federal pelo Cidadania, Helio Silva. O vídeo foi publicado ao meio-dia de terça-feira (15), conforme anunciado. Nele, os nove filhos e a esposa de Helio Silva apontam “preconceito, desigualdade e injustiça” na prisão do parlamentar.
Em um jogral de declarações, os familiares afirmam que “o preconceito existe e deixa feridas” e que “para quem é preto e vem da quebrada, nada é fácil”. Eles também dizem que a família “não será calada” e que “verdade vai aparecer”.
Ao final da gravação, a família de Helio Silva afirma que “a luta continua” e que “a campanha continua”.
Entenda o caso e a prisão do vereador
Helio Silva foi preso temporariamente por 30 dias na quarta-feira (9) em uma ação conjunta da Polícia Federal, da Polícia Militar e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), durante a Operação “Archimagus”. Segundo a investigação, o vereador de Sumaré seria financiador e coordenador de um esquema de tráfico de drogas e associação para o tráfico na região.
De acordo com o comandante do CPI-9 (Comando de Policiamento do Interior de Piracicaba), coronel Cleothéos Sabino de Souza Filho, o vereador seria conhecido como “Mister M” e teria extensa ficha criminal pregressa. Ainda assim, não possuía condenação ativa que o impedisse de se candidatar nas três últimas eleições municipais e na atual eleição geral.
Na operação, Silva, que é comerciante do ramo de materiais de construção, foi localizado em sua residência, em um condomínio de Paulínia. No endereço, foram apreendidas duas armas (uma pistola calibre .380 e uma carabina), 105 munições, R$ 18.215,00 em dinheiro, além de dezenas de joias e outros itens de valor. A regularidade das armas ainda seria apurada pela Polícia Federal.
Segundo suspeito também foi preso
Também foi preso pela força-tarefa da Polícia Federal e da Polícia Militar de São Paulo Maikon Baptista da Costa, de 43 anos, suspeito de integrar o mesmo esquema criminoso. Os dois foram levados para a Delegacia da Polícia Federal em Campinas e, depois, transferidos para a Superintendência do órgão, em São Paulo.
Além dos dois mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça de Campinas, a Operação “Archimagus” cumpriu outros dez mandados de busca e apreensão em endereços de Campinas, Sumaré e Vinhedo, no estado de São Paulo, e em Jacutinga, em Minas Gerais.

Partido suspendeu vereador das funções partidárias
No mesmo dia da Operação “Archimagus”, a direção estadual do Cidadania suspendeu Helio Silva de todas as funções partidárias.
Vice assumiu interinamente a Presidência da Câmara
No dia seguinte à prisão, Helio Silva pediu licença não remunerada da Câmara por 30 dias, “para tratar de assuntos particulares”. Com o afastamento, o vice-presidente, Lucas Agostinho (União Brasil), assumiu interinamente a Presidência do Legislativo Municipal.
Advogado de defesa busca relaxamento da prisão
Responsável pela defesa de Helio Silva, o advogado Edilson Casagrande tenta, desde o dia 10, obter o relaxamento da prisão do cliente. Em nota, o defensor também declarou que o vereador “segue tranquilo e confiante na Justiça”.
Casagrande afirmou ainda que o parlamentar “sempre pautou sua atuação pública pela probidade e pela moralidade administrativa” e negou as acusações apresentadas pela força-tarefa da Operação “Archimagus”.
A defesa de Maikon Baptista da Costa não foi localizada, mas o espaço permanece à disposição de seus advogados.





