Dizem que o cachorro é o melhor amigo do homem. Mas você sabe de onde surgiu essa famosa frase? A história começou em outubro de 1869, no Missouri, nos Estados Unidos, quando o fazendeiro Charles Burden perdeu seu cão de caça, Old Drum, morto a tiros por um vizinho. Inconformado com a perda, Burden decidiu buscar justiça nos tribunais para responsabilizar o homem pela morte do animal.
Mais de um século depois, a relação entre cães e seres humanos continua mostrando diferentes formas de parceria. É o que a TV TODODIA apresenta em uma série especial pelo Dia Mundial do Cachorro, celebrado em 26 de agosto.
No primeiro episódio, a história é de Gildete de Souza e da cadela-guia Kaila. A chegada do animal mudou a rotina da tutora, principalmente pela agilidade durante os deslocamentos. Segundo Gildete, a cadela consegue desviar de obstáculos e buracos, permitindo que ela percorra os trajetos com mais rapidez. “A primeira coisa que a gente consegue identificar na rotina é a questão da agilidade. A Kaila vai desviando dos obstáculos e buracos e tudo. E assim, o tempo que eu chegaria com a bengala aqui no meu trabalho seria um tempo muito maior do que eu com o cachorro”, explica Gildete.
Além da mobilidade, a parceria também trouxe impactos sociais e emocionais. Quando não está trabalhando, Kaila também é companhia para Gildete, fortalecendo a relação entre as duas. “Antes de ser cão-guia também ela é um cão. Quando não está trabalhando e a gente tem essa amizade, esse companheirismo que ajuda bastante, nesse apoio emocional também.”

Mais autonomia nos deslocamentos
No trajeto até o trabalho, a cadela também ajuda Gildete a não depender tanto da ajuda de outras pessoas. A experiência com a bengala fez com que ela percebesse a diferença no cotidiano. “Desviar de coisas rapidamente, não depender de tantas pessoas.”
Segundo Gildete, pessoas que não conhecem a rotina de quem utiliza bengala ou cão-guia podem tentar ajudar de maneira inadequada. Ela destaca que ainda existe falta de informação sobre como agir nessas situações.
Mesmo com a cadela, porém, há momentos em que a ajuda de outras pessoas pode ser necessária, principalmente diante de problemas de acessibilidade. “Não é porque eu estou com um cachorro que eu não preciso de nada. Porque às vezes eu posso também precisar.”
Falta de acessibilidade aumenta os riscos
Entre os principais desafios enfrentados nas ruas estão a falta de semáforos sonoros e veículos estacionados em locais inadequados. Esses problemas podem obrigar Gildete e Kaila a sair da calçada e se aproximar da rua. “A questão do semáforo sonoro, principalmente nas ruas mais movimentadas, nas avenidas. A questão dos carros estacionados em lugares impróprios, né? Que aí, como eu disse, a gente é obrigado a ir para o meio-fio, né? Onde corre mais risco de acidente.”
Kaila consegue desviar de diversos obstáculos durante o trajeto. Muitas vezes, Gildete sequer percebe o que estava no caminho. “Ela está o tempo todo nos livrando de situações que poderiam acontecer algum tipo de acidente.”
Cão-guia não deve ser distraído
Para quem encontra um cão-guia trabalhando, a orientação é não chamar a atenção do animal. Gildete explica que até mesmo olhar fixamente pode distraí-lo. “Desde que a pessoa esteja andando normalmente e o cão-guia esteja trabalhando e não necessitando de auxílio, não devem agir de forma alguma. Simplesmente ignora, porque é assim que se deve agir.”
A tutora reforça que não se deve tocar ou brincar com o cão durante o serviço. “Muito menos encostar, relar a mão e brincar, isso é inadmissível. A gente fala que ele se distrai e pode acontecer algum acidente.”
Confiança construída no dia a dia
A adaptação entre Gildete e Kaila também exigiu tempo. Diferentemente da bengala, que permite identificar fisicamente o obstáculo, o cão-guia exige que a pessoa confie nas decisões tomadas pelo animal. “O cão-guia não, o cão-guia a gente não sente, não sabe onde está o obstáculo, a gente tem que confiar no cachorro.”
Com a convivência e os deslocamentos diários, essa confiança foi sendo construída. “Conforme você vai andando, o dia a dia vai acontecendo, a gente vai pegando mais confiança e vai automaticamente aprendendo a lidar com as situações.”
A história de Gildete e Kaila abre a série especial da TV TODODIA sobre o Dia Mundial do Cachorro. Nos próximos episódios, a reportagem mostra cães que atuam em outras funções e ajudam a transformar a rotina de diferentes pessoas.





