
Rosenilda Cardoso dos Santos de Souza, de 48 anos, aguarda desde 8 de março por uma cirurgia após ser diagnosticada com pancreatite aguda, segundo laudos médicos do Hospital Municipal de Americana Dr. Waldemar Tebaldi. Ela afirma que descobriu quase seis meses depois que o pedido não havia sido registrado no sistema.
Em março, Rosenilda teve uma crise e precisou ser hospitalizada. Ela permaneceu seis dias internada para tratar uma infecção e recebeu alta sem realizar a cirurgia. “Os médicos que me deram alta é que teriam que ver se eu deveria ter ido embora ou se já deveria ter feito a cirurgia e saído operada. Porque me mandaram embora e me deixaram passando mal. Eu passo mal todos os dias. Tudo que eu como me faz mal. Se eu não como, também passo mal.”
Segundo Rosenilda, dois dias após receber alta, ela retornou ao Hospital Municipal com a guia para a cirurgia. O documento, que ela leva diariamente ao trabalho em caso de emergência, registra: “Alta com orientações de sinais de alarme. Encaminho para o ambulatório de cirurgia para programação de colecistectomia eletiva. Agendar ambulatório de cirurgia geral.”
Dois dias depois da alta, ainda em março, ela esteve no Hospital Municipal de Americana, entregou os documentos pessoais, informou um telefone para contato e foi orientada de que a unidade entraria em contato para informar sobre o procedimento. “Pegaram meu documento, meu RG e o papel. Ele digitou no computador e, para mim, estava agendado. Eu achei que só estava aguardando. Mas, como estou passando muito mal, fui lá verificar o que estava acontecendo depois de tanta demora e descobri que não tem nada no sistema.”

Pedido de cirurgia não consta no sistema
Após quase seis meses de espera, Rosenilda voltou nesta quinta-feira (3) ao Hospital Municipal para buscar informações sobre a cirurgia. Segundo ela, foi nesse momento que descobriu que o procedimento não havia sido agendado.
A paciente também procurou a Secretaria de Saúde de Americana em busca de informações. “Fui no Municipal, fui na Secretaria de Saúde, onde me comunicaram que meu nome não estava na lista para cirurgia nem para especialista. Pediram para que eu voltasse ao Municipal. A assistente social falou que eles não têm culpa. Fica um jogando para o outro, um jogo de empurra, e ninguém é culpado.”
Paciente também aguarda atendimento para nódulos na tireoide
A cirurgia para tratar a pancreatite não é o único problema enfrentado por Rosenilda. Ela também foi diagnosticada com nódulos na tireoide e afirma que aguarda há cerca de dois anos por acompanhamento com um endocrinologista.
Diante da demora, ela decidiu realizar exames de forma particular. Segundo Rosenilda, os resultados apontaram a presença de mais dois nódulos na tireoide. “Há dois anos estou esperando um acompanhamento, um encaminhamento para endocrinologista. Há dois anos descobri que estava com um nódulo na tireoide. Agora, como as coisas se agravaram, resolvi fazer um check-up particular. Gastei dinheiro para fazer os exames e descobri que estou com três nódulos na tireoide, mas não tenho nenhum médico para me atender e cuidar de mim.”
Rosenilda afirma que não tem condições financeiras para arcar com todos os exames de forma particular. Segundo ela, uma biópsia foi solicitada para avaliar os nódulos. “Eu pago meus impostos, mas não sou atendida pelo SUS.”
Segundo a paciente, nos períodos em que sente os sintomas da pancreatite, ela procura uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), onde recebe medicamentos. Ela afirma, porém, que não tem acompanhamento especializado para tratar a doença.
Rosenilda diz que os problemas de saúde afetaram diretamente sua qualidade de vida e afirma que busca apenas atendimento e acompanhamento médico. “A sensação é de descaso, de má-fé e medo, porque eu não sei o que tem dentro de mim. Se é benigno, se é maligno. A gente precisa saber o que tem, mas não tem essa chance. Fica todo mundo apreensivo, todo mundo com medo de me perder. Mas é rezar e pedir a Deus que toque o coração deles para poderem me atender.”
Nota de posicionamento
A TV TODODIA procurou a Prefeitura de Americana, que se manifestou sobre o caso por meio da seguinte nota:
“O Hospital Municipal informa que a Direção Técnica da instituição entrou diretamente em contato com a paciente, que aguarda a realização de procedimento eletivo e se encontra em domicílio, com poucos sintomas no momento.
Foi disponibilizado retorno ambulatorial centralizado para reavaliação, revisão dos encaminhamentos e definição do plano terapêutico adequado.
A Secretaria de Saúde, por sua vez, informa que o setor de Regulação está tentando contato com a paciente para agendamento da consulta com endocrinologista.”





