domingo, 10 maio 2026
EM TRAMITAÇÃO

Projeto em Americana propõe proibição de coleiras eletrônicas e ultrassônicas em animais

Proposta em tramitação na Câmara divide opiniões entre defensores da causa animal e profissionais do adestramento, que defendem o uso controlado dos equipamentos
Por
João Victor Viana

O uso de coleiras eletrônicas e ultrassônicas em animais voltou a ser tema de debate em Americana após a apresentação de um projeto de lei na Câmara Municipal que propõe a proibição desses equipamentos no município.

As coleiras são utilizadas em treinamentos e adestramento animal e funcionam por meio de estímulos sonoros, vibratórios ou elétricos. O uso desse tipo de equipamento gera discussões sobre limites e formas de aplicação.

A proposta é de autoria da vereadora Roberta Lima. Segundo ela, projetos semelhantes já existem em outros municípios.

“Eu falo que o que as coisas boas que a gente copia são muito válidas. Então, se está funcionando em outros municípios, a gente tenta agregar no nosso município também”, afirmou.

O projeto também considera infração o uso de outros equipamentos eletrônicos voltados ao condicionamento comportamental dos animais. Caso a proposta seja aprovada, haverá previsão de apreensão do equipamento e aplicação de multas entre R$ 1.921 e R$ 19.210.

Tema gera divergência entre profissionais
Apesar da proposta ter como objetivo ampliar a proteção animal, o texto não é consenso entre profissionais que atuam com comportamento e adestramento.

Adestradores e veterinários defendem que os equipamentos, quando utilizados corretamente, não configuram maus-tratos e podem auxiliar na comunicação com os animais.

“Quando você começa a treinar um cachorro, o sistema de comunicação é não verbal, então se usa um enforcador, uma guia […] todo esse equipamento que a gente usa no treinamento do cachorro é simplesmente para se comunicar”, explicou Archimedes Garrido, campeão brasileiro e das Américas de adestramento.

O médico veterinário Reinaldo Bertier também comentou sobre o funcionamento do equipamento. “A coleira eletrônica não tem nada a ver com eletrocussão. É um estímulo que é denominado corrente tens, é como a corrente para efeito de fisioterapia”, afirmou.

A equipe da TV TODODIA acompanhou um treinamento realizado pelo adestrador e esportista canino Patrick Luiz Souza, que demonstrou a utilização do equipamento em André, um cão com surdez.

Segundo o profissional, o equipamento pode auxiliar em situações específicas.

Cãozinho André. Foto: Raul Rodrigues/TV TODODIA

“Salva vidas e exerce o papel de comunicação com o dono. Aquilo que fica invisível, que seria o uso de uma guia, é feito através desse equipamento”, disse.

Projeto ainda pode ser alterado
Após a repercussão do tema, a vereadora Roberta Lima realizou reuniões com adestradores e profissionais que apresentaram ressalvas em relação ao projeto.

Entre as possibilidades discutidas está a apresentação de emendas para permitir o uso dos equipamentos apenas por profissionais habilitados.

As alterações ainda não foram oficializadas. O projeto segue em tramitação nas comissões da Câmara Municipal e ainda não há data definida para votação.

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