O uso de coleiras eletrônicas e ultrassônicas em animais voltou a ser tema de debate em Americana após a apresentação de um projeto de lei na Câmara Municipal que propõe a proibição desses equipamentos no município.
As coleiras são utilizadas em treinamentos e adestramento animal e funcionam por meio de estímulos sonoros, vibratórios ou elétricos. O uso desse tipo de equipamento gera discussões sobre limites e formas de aplicação.
A proposta é de autoria da vereadora Roberta Lima. Segundo ela, projetos semelhantes já existem em outros municípios.
“Eu falo que o que as coisas boas que a gente copia são muito válidas. Então, se está funcionando em outros municípios, a gente tenta agregar no nosso município também”, afirmou.
O projeto também considera infração o uso de outros equipamentos eletrônicos voltados ao condicionamento comportamental dos animais. Caso a proposta seja aprovada, haverá previsão de apreensão do equipamento e aplicação de multas entre R$ 1.921 e R$ 19.210.
Tema gera divergência entre profissionais
Apesar da proposta ter como objetivo ampliar a proteção animal, o texto não é consenso entre profissionais que atuam com comportamento e adestramento.
Adestradores e veterinários defendem que os equipamentos, quando utilizados corretamente, não configuram maus-tratos e podem auxiliar na comunicação com os animais.
“Quando você começa a treinar um cachorro, o sistema de comunicação é não verbal, então se usa um enforcador, uma guia […] todo esse equipamento que a gente usa no treinamento do cachorro é simplesmente para se comunicar”, explicou Archimedes Garrido, campeão brasileiro e das Américas de adestramento.
O médico veterinário Reinaldo Bertier também comentou sobre o funcionamento do equipamento. “A coleira eletrônica não tem nada a ver com eletrocussão. É um estímulo que é denominado corrente tens, é como a corrente para efeito de fisioterapia”, afirmou.
A equipe da TV TODODIA acompanhou um treinamento realizado pelo adestrador e esportista canino Patrick Luiz Souza, que demonstrou a utilização do equipamento em André, um cão com surdez.
Segundo o profissional, o equipamento pode auxiliar em situações específicas.

“Salva vidas e exerce o papel de comunicação com o dono. Aquilo que fica invisível, que seria o uso de uma guia, é feito através desse equipamento”, disse.
Projeto ainda pode ser alterado
Após a repercussão do tema, a vereadora Roberta Lima realizou reuniões com adestradores e profissionais que apresentaram ressalvas em relação ao projeto.
Entre as possibilidades discutidas está a apresentação de emendas para permitir o uso dos equipamentos apenas por profissionais habilitados.
As alterações ainda não foram oficializadas. O projeto segue em tramitação nas comissões da Câmara Municipal e ainda não há data definida para votação.





