terça-feira, 14 julho 2026
MORTA AOS 15 ANOS

Sob chuva, manifestação marca um ano do feminicídio de Nicolly Pogere em Hortolândia

Mãe, familiares, amigos e ativistas pela proteção a meninas e mulheres se reuniram na Lagoa do Jardim Amanda
Por
Vagner Salustiano

Nem mesmo a chuva que atingiu Hortolândia no domingo (12) de manhã impediu que familiares e amigos da adolescente Nicolly Pogere, brutalmente assassinada aos 15 anos, marcassem um ano da sua morte com uma manifestação. O ato ocorreu no local onde partes de seu corpo foram encontradas, a Lagoa do Jardim Amanda, e contou com cartazes exibindo fotos de vítimas de feminicídio.

A mobilização, organizada pela mãe de Nicolly, a ativista Pit Magrim, teve muita emoção, palavras de ordem, pedidos por justiça e proteção a meninas e mulheres em situação de risco. A ação também foi marcada por momentos de silêncio por parte dos manifestantes.

Dezenas de pessoas se juntaram à família de Nicolly Pogere para manifestação sob chuva. Foto: Acervo Pessoal

Para Pit Magrim, a internet também tem culpa, pois grupos extremistas disseminam o ódio contra mulheres em plataformas que permitem esse tipo de manifestação ilegal, como o Discord. Segundo ela, somente a força popular vai conseguir pressionar os políticos eleitos a aprovarem penas mais duras para criminosos que tiram a vida de meninas e mulheres, mesmo que sejam menores infratores, como neste caso. Uma das propostas que tramita no Senado Federal leva exatamente o nome de “Projeto de Lei Nicolly Pogere”.

Pit Magrim em dois momentos da manifestação do último domingo, no Jardim Amanda. Foto: Acervo Pessoal

Apoio popular e cobranças
Pit agradeceu às pessoas que estiveram com ela na Lagoa do Amanda no domingo cobrando ações do Poder Público. “Primeiramente, eu gostaria de agradecer a cada pessoa que esteve lá na homenagem e na manifestação em prol da minha filha Nicolly Pogere, de um ano do seu feminicídio brutal que ocorreu”, iniciou a mãe.

“Então, eu quero agradecer imensamente a cada pessoa que gritou comigo, que chorou comigo, que esteve ali comigo e está nessa luta aí comigo. Porque é muito importante a força popular, o apoio popular, a gente estar juntos nessa, para que a gente consiga (não só pela minha filha) a justiça devida, mas também por outras vidas, outras meninas e mulheres”, afirmou.

Luta por punições severas
A mãe de Nicolly promete não parar até conseguir o endurecimento das punições aos agressores, pauta frequentemente acompanhada pela TV TODODIA na região. “Eu vou continuar nessa luta até que eu consiga, eu não vou parar. Então, as minhas próximas ações vai ser mais manifestações, vou estar trazendo alertas, conscientização, enfim, tudo que eu puder fazer”, garantiu.

“O que eu vou estar fazendo sim, dentro e fora das redes (sociais), me movimentando sempre em prol da minha filha e também de outras vidas, com certeza, não vou parar”, reforçou a ativista.

Feminicídio e abaixo-assinado
Para Pit, é importante lembrar a sociedade de que o feminicídio é um problema real. “(É importante) lembrar as pessoas que o feminicídio é real, que a gente precisa acabar com o feminicídio. Os menores infratores, lembrar que eles não são menores infratores, são assassinos, porque quando se tira vidas, não existe ressocialização”, detalhou.

“E é por isso que eu estou na luta também no abaixo-assinado para a ‘Lei Nicolly Pogere’ acontecer e ser real. Então quem puder estar apoiando, ajudando, tem nas minhas redes sociais todos os links”, explicou Pit, ressaltando que o abaixo-assinado feito pelo portal gov.br já está nas mãos da Comissão de Direitos Humanos. “Eu preciso que as pessoas votem em ‘sim’ pelo projeto de lei, para que se torne real”, pediu a organizadora do protesto.

Persistência na cobrança
A ativista reforçou a necessidade de alcançar um grande número de adesões em um segundo documento para que a legislação avance em Brasília (DF). “E também tem o outro abaixo-assinado, que as pessoas continuem apoiando, assinando, pra gente bater um milhão de assinaturas no outro. Porque é o que eu já falei: se o ‘plano A’ não der certo, eu vou fazer o ‘plano B’, o ‘plano C’, o ‘plano D’… O alfabeto inteiro se for preciso, até que dê certo”, apontou.

“Então eu vou continuar lutando sempre pela minha filha e por outras vidas. Então eu conto muito com o apoio de todas as pessoas nessa luta aí”, declarou Pit.

Alerta sobre plataformas online
Por fim, a mãe da vítima alertou novamente que grande parte do perigo, principalmente entre os adolescentes, está atualmente na cooptação de vítimas e agressores dentro das redes sociais. “E um adendo, lembrando também das redes sociais: os riscos, os perigos que têm dentro das redes sociais. Porque os assassinos da minha filha faziam parte de grupos extremistas dentro dessas plataformas, do Discord”, alertou.

“E eles ensinam todo tipo de crime ali dentro. Começa com animais, depois meninas, mulheres, vidas. Então, a gente precisa trazer esse alerta também. Então a minha luta também é sobre isso, pra trazer alerta e pra gente buscar mudanças, tanto pra penalizar quem precisa, quanto alertar, pra evitar esse tipo de tragédia acontecendo novamente”, finalizou.

Relembre o caso
Nicolly Fernanda Pogere foi morta a facadas aos 15 anos e esquartejada por outros dois adolescentes. O crime foi cometido pelo então namorado da vítima, de 17 anos, e uma menina de 14 anos que manteria um relacionamento com ele.

A dupla fugiu com a ajuda de familiares, mas foi presa dias depois, escondida no norte do Paraná (PR). Ambos admitiram o crime e seguem internados em instituição para menores desde então.

Novos indícios na investigação
Atualmente, a Polícia Civil voltou a investigar o feminicídio, devido a informações que chegaram à família da vítima.

Os dados foram entregues à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Hortolândia, indicando a possível participação de um adulto no esquartejamento e na ocultação do corpo da adolescente.

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