Pelo segundo dia consecutivo, usuários da linha 653 do transporte coletivo metropolitano voltaram a reclamar nesta quinta-feira (17) de atrasos e superlotação no período da manhã. Nesse horário, muitos passageiros seguem para o trabalho, a escola ou o tratamento médico no HC (Hospital das Clínicas) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Operada pelo Consórcio Bus+, a linha liga Sumaré, Hortolândia e Campinas e está entre as 36 rotas cuja operação foi considerada deficitária pela Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo).

Assim como na quarta-feira, vídeos enviados à reportagem da TV TODODIA pelo usuário Luciano Gon mostram praticamente a mesma situação enfrentada pelos passageiros.
Vídeos mostram problemas no transporte
No primeiro vídeo, passageiros aguardam em uma longa fila em um ponto do Jardim Denadai, em Sumaré, cerca de 20 minutos depois do horário previsto. Segundo Luciano Gon, o coletivo passou por volta das 6h30.
O segundo vídeo mostra o interior do ônibus lotado e apertado. Nele, usuários reclamam em voz alta e cobram soluções para os problemas recorrentes na linha. Nas imagens, também é possível ouvir novamente a mulher que fez reclamações no dia anterior. “Mais um dia do trabalhador dentro do ônibus lotado, superlotado de novo. Gente pendurada como eu, de novo. Ninguém faz nada. (…) Estamos indo trabalhar apertados de novo, atrasados”, afirma a passageira.
Em seguida, um homem acrescenta sua própria reclamação. “Ninguém faz nada, não tem fiscal, ninguém faz nada para melhorar como está. Até a hora que a gente quebrar tudo – tem na hora que a gente quebrar tudo. Uma hora nós ‘se’ revolta e quebra, heim”, alerta.
Passageira que passou mal relata drama diário na linha
A reportagem da TV TODODIA também localizou e conversou com a passageira que desmaiou durante a viagem na quarta-feira. Marcia Fontinelli, moradora de Sumaré, trabalha em Barão Geraldo e relatou as condições enfrentadas no trajeto. “Eu estava em pé, o ônibus estava super lotado, muito lotado, e não só eu acabei passando mal, como uma outra pessoa também machucou o braço na porta. Hoje ela vinha revoltada no ônibus com o braço machucado, ainda está com dor. E eu desmaiei, simplesmente por estar lotado, não tinha espaço para mais nada, pessoas ficando no ponto”, contou Marcia.
Ela voltou a atribuir o problema à retirada, em 2020, do ônibus articulado, de maior capacidade, que fazia a linha antes da pandemia. “A gente já paga uma passagem super cara de Sumaré para Campinas, e é ônibus pequeno. Eles tiraram o articulado desde a pandemia. Então qualquer coisinha, o ônibus quebra, eles não repõem outro. E a gente está super infeliz, porque a gente está achando um desrespeito com os passageiros, um descaso. E gente está achando tudo isso. Fora os idosos que vêm, que às vezes a gente até cede o lugar, quando tem, e eles não conseguem chegar até o local do assento, por não ter como passar pelas pessoas. Como o motorista, às vezes, vê a dificuldade da gente, ele abre as portas de trás, mas não tem como as pessoas entrarem, nem pela frente, nem pela traseira do ônibus, por estar lotado. E a gente está muito revoltado com isso, porque é desrespeito, é desumano o que eles estão fazendo”, acrescentou Marcia.
Grupo cogita realizar manifestação
Segundo Marcia, a situação tem levado passageiros mais exaltados a ameaçar uma manifestação contra o Consórcio Bus+ e a Artesp. “Tem pacientes na Unicamp, que faz tratamento, que vem com aquelas bolsinhas dos lados, sabe? É desrespeito demais isso, a gente não é bicho, não é animal para vir de pendurada, de qualquer forma. Então tem gente que ameaça quebrar, outros pôr fogo, só que a gente fala, ‘não, calma, é vandalismo, vamos tentar de outra forma, vamos fazer de outra forma’. E isso não é de agora”, destacou.
Ainda segundo Marcia Fontinelli, os problemas também ocorrem no período da tarde, quando os passageiros retornam para casa. “À tarde, não temos ônibus. A gente vem e já se desespera como que volta, porque eles não têm ônibus para voltar com a gente. Ou seja, eles levam, como se a gente estivesse em uma senzala e lá a gente fica, não pode voltar. Então a gente não está feliz com isso, isso é um absurdo o que estão fazendo, é um absurdo”, acredita a usuária.
Retorno do ônibus articulado é reivindicado
Para Marcia, a solução mais imediata seria o retorno dos ônibus articulados à linha 653, ao menos nos horários de pico da manhã e da tarde. “Isso não está certo, não é certo com a gente, não é certo com nós, trabalhadores, não é certo. Isso é um absurdo. Então, eles têm que ter uma atitude, eles têm que ver o que vão fazer. Pôr mais ônibus, pôr o articulado, ver o que eles vão fazer e colocar mais ônibus, não temos ônibus, não temos, isso está difícil para a gente”, acredita.
Marcia também reclamou da fiscalização da Artesp, que, segundo ela, não seria suficiente. A passageira afirmou que os usuários fizeram um abaixo-assinado no início do ano e o entregaram à agência. “A gente fez no começo do ano, porque não tinha articulado, não colocaram ônibus, a gente fez abaixo-assinado de tudo que é forma. A gente parou o ônibus no meio do caminho, teve viatura, sabe. O ônibus não tem fiscalização. Às vezes o fiscal vem, tipo, na terça. Na terça o ônibus vem lotado, mas não vem como na segunda. Às vezes ele vem na quinta, o ônibus não vem lotado como vem na quarta ou na sexta, o certo erra ele vindo de segunda à sexta-feira, aí tem catraca, eles não contam, os passageiros que passam, eles não veem isso. Dizem que tem câmera no ônibus, funciona? Por que eles também não veem isso? Então, para a gente, é um descaso o que estão fazendo para a gente, isso é descaso”, finalizou a usuária da linha 653.
Artesp fiscaliza e consórcio promete medidas
Como já informado pela TV TODODIA, a Artesp afirmou ter conhecimento das reclamações sobre a linha 653.
A agência vem intensificando a fiscalização das linhas metropolitanas em Sumaré, Hortolândia e Campinas, com vistorias diárias da frota do Consórcio Bus+.
A Artesp também deu prazo de 60 dias para que o consórcio regularize as 36 linhas cuja operação foi considerada deficitária.
O Consórcio Bus+ informou nesta semana que, devido à queda na demanda da linha 653 nas últimas semanas, substituiu o veículo por um modelo menor. Segundo a empresa, a troca deveria ter sido desfeita já nesta quinta-feira.
A empresa iniciou um estudo da demanda nesta quinta-feira e afirmou que, caso seja constatada a “recuperação na demanda” da linha, fará os “ajustes necessário” o mais brevemente possível.
A TV TODODIA segue acompanhando a situação do transporte metropolitano na região.





