quarta-feira, 26 agosto 2026
NO NOVA TERRA

Sumaré reinaugura segunda escola municipal a adotar modelo cívico-militar

EM Eliana Minchin Vaughan atende cerca de 420 alunos e é a segunda da rede municipal a passar pelo novo formato
Por
Vagner Salustiano
Escola Municipal de período integral passou por reformas e ganhou novos equipamentos. Foto: Vagner Salustiano/TV TODODIA

A Prefeitura de Sumaré confirmou para o próximo dia 2 de setembro, às 8h, a reinauguração da EM (Escola Municipal) Eliana Minchin Vaughan, agora no modelo cívico-militar de ensino. A unidade fica no Jardim Nova Terra, na região do Matão, atende aproximadamente 420 estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, com turmas do 1º ao 5º ano, e passa a ser a segunda da rede municipal a adotar o novo formato.

A primeira escola a adotar o modelo, no início do ano letivo de 2026, foi a EM (Escola Municipal) Magdalena Maria Vedovato Callegari, no Jardim Recanto dos Sonhos, na região do Maria Antonia, que atende cerca de 195 estudantes.

Segundo a gestão municipal, o Programa Escola Cívico-Militar busca complementar as ações pedagógicas e contribuir para a formação dos estudantes por meio de valores como disciplina, responsabilidade, cidadania e respeito.

Educadores e GCMs falam das vantagens do modelo
Para mostrar como o novo modelo vai funcionar na prática, a reportagem da TV TODODIA esteve na EM Eliana Minchin Vaughan durante as reformas e adequações finais da escola e conversou com educadores e guardas civis municipais.

Segundo a diretora da escola, Juliana Amaral, o principal propósito do novo modelo na rede é aumentar a segurança dos alunos. Por isso, a vulnerabilidade das regiões atendidas é um dos critérios de seleção das escolas previstos na legislação municipal. “Eu acredito que a escola cívico-militar venha com um propósito bem definido aqui para o nosso município na questão de segurança, ainda aumentar a segurança de nossos alunos na organização e no foco da aprendizagem. Eu acho que com toda essa organização, essa disciplina, os alunos ficam mais focados e conseguem um desempenho maior nos resultados. Com certeza (é um ganho para a comunidade), além de toda a melhoria de infraestrutura do espaço. Então, com a escola se tornando cívico-militar, são muitas conquistas, muitas melhorias para os nossos alunos, familiares e comunidade. Então, eu acredito que é um grande ganho aqui para o nosso município”, apontou a gestora.

Além disso, para a educadora, houve ganho em infraestrutura e em novos equipamentos. “(A adoção do modelo trouxe) computadores para todas as salas de aula, na mesa do professor, notebook, Chromebooks para todos os alunos, um espaço mais acolhedor, ampliação da biblioteca, melhorias no espaço de convivência. É muito importante isso tudo para a melhoria do ensino aqui”, completou Juliana.

Guarda destacado para a unidade fala em disciplina
Destacado pela parceria entre as secretarias municipais de Educação e de Segurança para atuar na escola, o guarda municipal Pedro Alves explicou que as regras cívicas e disciplinares trazidas pelo modelo cívico-militar fora da sala de aula não vão interferir no ensino oferecido, que continua exclusivamente a cargo da equipe pedagógica. “A escola cívico-militar proposta pela administração do prefeito Henrique Stein Sciáscio é totalmente democrática. Não vai ter modelo de corte de cabelo. O que vai ter é o uso do uniforme como prerrogativa para identificar o aluno. Todas as escolas têm essa prerrogativa do uso do uniforme. Tudo acompanhado pela direção da escola. No caso, as questões do Ensino, ele é da própria da Secretaria de Educação. Os guardas municipais vão assessorar somente na questão disciplinar, na questão de o aluno ter segurança dentro do ambiente escolar, um não praticar bullying com o outro”, explicou o GCM.

O modelo, no entanto, traz diversas atividades extraclasse que passam a ser trabalhadas do ponto de vista cívico-militar. “Ao longo do ano, nós vamos fazer diversas atividades explicando todos os meses. Por exemplo, Maio Amarelo, Novembro Azul, tudo o que tiver, nós vamos trabalhar os conteúdos. Vamos trabalhar conteúdos de acidente doméstico, como se comportar em dias de tempestade, várias situações. Os símbolos de soberania nacional. Por exemplo, aqui nessa região em que nós estamos, foi feita uma repaginação, onde vai ter as três bandeiras. O pavilhão nacional, a bandeira nacional, a estadual e a municipal. E a gente vai estar falando sobre os símbolos de soberania com as crianças. Sempre orientando elas. Ajudando a trazer um equilíbrio, uma harmonia para que todas elas, os pais, sintam e saibam que os filhos estão em ambiente seguro”, acrescentou o guarda.

Diretora e um dos guardas destacados para a escola acreditam no sucesso do modelo. Foto: Vagner Salustiano/TV TODODIA

Ensino continua a cargo dos professores, assegura diretora
Neste ponto, a diretora Juliana Amaral ressaltou a função dos professores no novo modelo. “O papel do professor não muda, ele é a autoridade máxima em sala de aula, vai seguir o currículo e todas as disciplinas continuam sendo responsabilidade do professor, cujo papel continua sendo essencial na escola cívico-militar. A grande diferença é o auxílio da Guarda aqui na escola, nos projetos, auxiliando no dia a dia. Acho que veio a somar, mas o papel do professor é essencial”, completou a gestora.

Por fim, o secretário municipal de Educação de Sumaré, Lucas Gomes Lima, afirmou que as comunidades atendidas pelas duas unidades que já aderiram ao novo modelo vêm aprovando a experiência. “O resultado foi muito positivo, principalmente na parte pedagógica. Estamos falando ali de alunos de 1º ano, em que o ciclo de alfabetização se consolida provavelmente no mês de outubro. Nos primeiros meses deste ano, todos os alunos já foram alfabetizados, claro, devido à organização, à disciplina. Isso foi favorável para a parte pedagógica. E agora, dentro da proposta pedagógica e também da disciplina do cívico-militar, com certeza vamos colher muitos frutos com a nova Escola Eliana (Minchin Vaughan), que vai ser inaugurada. (…) E os pais já estão bem ansiosos, vão receber uma escola totalmente transformada, com mobiliários trocados, com infraestrutura toda reformada, quadra reformada, com uniforme de gala dentro das diretrizes”, afirmou o secretário.

Secretário destaca parceria com a GCM
O secretário também destacou a parceria com a Guarda Civil Municipal na implantação do modelo. “Para essa parceria, esse termo de colaboração é um termo mais técnico. Foi feita uma seleção de guardas que tenham essa habilidade para trabalhar com crianças, para ajudar o professor. Então, foi feita uma seleção interna entre esses guardas que estão sendo colaboradores, que tenham esse vínculo mais colaborador com as crianças, entendam a rotina de um aluno, que saibam lidar com o dia a dia de uma escola. Então, em todas as seleções dos guardas que vão ficar dentro das escolas, é feita a análise de perfil desse guarda que vai estar trabalhando junto com os professores”, explicou Lucas.

Segundo ele, é provável que o modelo cívico-militar seja estendido a mais escolas da rede municipal de ensino, sempre após processos de aprovação por parte das comunidades escolares atendidas. “Podemos erar mais unidades aderindo ao modelo em 2027. Claro que isso depende de uma construção de escuta pública, claro. A lei fala que precisamos de uma análise das escolas com vulnerabilidade, da aprovação tanto da comunidade escolar quanto do Conselho de Educação. Então, há essa parte democrática a se discutir. E, havendo a necessidade e a escuta democrática, ano que vem iremos abrir outras escolas”, finalizou Lucas Gomes.

Alunos só passam a utilizar uniformes azuis a partir do lançamento oficial do modelo. Foto: Vagner Salustiano/TV TODODIA

Ministério Público investiga adoção do modelo
A implantação do programa é resultado da Lei Municipal nº 7.417/2025, que instituiu o Programa Escola Cívico-Militar em Sumaré. Desde maio, no entanto, o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) investiga a regularidade da instalação de escolas cívico-militares na rede pública municipal de Sumaré por meio de inquérito civil.

O promotor de Justiça Denis Henrique Silva, titular da 3ª Promotoria de Justiça de Sumaré, aponta a falta de informações públicas sobre quais critérios teriam sido adotados pela gestão municipal para a definição das duas primeiras escolas a passarem para o novo modelo, ambas de período integral.

O promotor quer saber se foram levados em consideração fatores como a vulnerabilidade social das regiões onde as escolas ficam, presença e evasão escolar e rendimento escolar, por exemplo, além de se houve aprovação prévia por parte das próprias comunidades escolares.

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